• André Zenobini

Crítica de Cinema - Animais Fantásticos: Os crimes de Grindelwald


Não há como duvidar do talento de J.K.Rowling bem como também é impossível não perceber o toque de David Yates no novo filme do mundo mágico criado pela autora. Assistir a Animais Fantásticos: Crimes de Grindelwald é reviver as aventuras mais mágicas do cinema em um grande combinado de efeitos especiais, roteiro, atuações impecáveis e muitas lições de politica.


O destaque é que Johnny Depp é o nome do mundo mágico. O papel lhe cai como uma luva e sua aura recai em todas as cenas do filme. O tom dado por David Yates e a intonação colocada pelo ator fazem o público acreditar que ele empunhou uma varinha a vida toda. Ele é sem dúvida, a maior descoberta do mundo bruxo. Talvez nem Voldemort tivesse o mesmo impacto nas telas.


A história que inicia por volta de 1920 deixa clara a posição política da autora. Os filmes são uma aula de politica e inclusive menciona fatos históricos mostrando que as duras e extremas posições crescentes na época levariam os homens a uma guerra. O próprio discurso de Grindelwald a seus seguidores é claramente um hino do discurso politico de extrema direita. Hitler ficaria muito satisfeito com seu colega tirano bruxo.


Talvez esteja aí o maior problema da história. Ao entrar de cabeça na divisão entre bruxos e não bruxos, fortes e fracos, puros ou não, a autora que é uma fantástica escritora de livros, transporta toda sua narrativa para dentro da tela. Em alguns momentos, o filme se enrola na descrição e na sobreposição de cenas que querem passar a mesma mensagem. Além disso, ainda é preciso entender o papel de Newt na trama. Por muito tempo ele fica em cima do muro, dividido se valeria a pena comprar a briga contra o vilão.


Sempre fui contrário a usar ``Animais Fantásticos`` como mote para uma nova série pois unicamente dependeríamos da sincronia deles com a tensa história que a autora busca criar. Talvez ``Hogwarts, uma história`` ou ``A história da Magia`` poderia ter vinculado um título melhor ao filme. A atuação de Eddie Redmayne, o Newt, também é algo que precisa ser estudado: quieto e calmo, não dá a tônica que o filme merecia. Carma de J.K.Rowling que viu em Harry Potter a atuação de Daniel Radcliffe perder fôlego ao longo da trama.


Embora alguns ajustes me pareçam necessários, Animais Fantásticos é uma obra prima, uma sala de estar incrível para o próximo longa visto que todo o cinema sai ansioso pelo próximo aceno de varinha do vilão. Quanto a Jude Law, está se saindo muito bem no papel de Dumbledore embora sua atuação ainda seja modesta. O ápice da história será com ele e junto com Depp terão que entregar o limite da atuação para agradar a um público que sonha com esse momento.


Vale a pena sim ver a continuação de Animais Fantásticos. Aos saudosistas fãs de Harry Potter é mágico o momento em que se retorna para Hogwarts. Sensação de chegada em casa para as comemorações de natal. Para aqueles que não viram os oito filmes da saga de Harry, Animais em si é uma obra que conquista.


Por fim, já foi os Estados Unidos, a França e o Brasil deve estar no radar de J.K. O que poderiam aprontar por aqui?

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